Os Dilemas da Diagramação de Magazines Apps

O iPad era para ser o salvador das revistas, porém até agora, a maioria dos aplicativos de revistas tem sido “mais do mesmo, mas digital”. Charles Lim, Diretor Criativo da Sparksheet, argumenta que é o momento dos designers se libertarem dos grilhões da impressão e começarem a pensar de forma digital antes de tudo.

Não fique deslumbrado por aqueles chamativos apps de revista para iPad ou por aqueles “viradores-de-página” digitais. Criar algo como Wired iPad app pode conquistar uma rodada de “vivas” dos designers de impressão, mas coloque isso ao lado da experiência na web e se torna algo mais decorativo que útil.

A mentalidade da maioria dos aplicativos de revista parece ser, “Vamos fazer isso parecer exatamente igual ao impresso”. Afinal de contas, um tablet é grosseiramente do mesmo tamanho e espessura que uma revista impressa, então os leitores vão usá-lo da mesma forma, certo?

Errado.

A tecnologia muda nossa maneira de usar as coisas
Pense na evolução do calendário. Um calendário impresso consiste tipicamente de 12 páginas: novo mês, nova página, nova imagem de gatinho.

Por questão de conveniência, há também versões em miniatura do mês anterior e do mês seguinte, e na parte de trás do calendário, tem uma grade com todos os 12.

Você simplesmente preenche as caixas com conteúdo, depois vira para a próxima página quando o mês acaba.

Agora pegue esta interface estática e transfira para um dispositivo digital. Numa interface dinâmica, o tempo pode ser representado de várias formas e o conteúdo pode ser manipulado para se adequar ao que você estiver interessado naquele momento.

Você pode organizar por horas, dias, semanas ou meses. Ou pode escolher ver apenas compromissos de trabalho, ou as partidas de futebol do seu filho, ou os ensaios da sua banda. Você não precisa ver tudo ao mesmo tempo.

Ao mudar para o digital, um calendário se torna mais versátil e útil que nunca. E graças aos alertas, nós sequer precisamos checá-lo!

E o que isso tem a ver com revistas?
O que faz uma revista é uma outra discussão, mas podemos concordar que não são as colunas arrumadinhas ou as páginas coloridas. Em última instância, é uma questão de conteúdo e da experiência de consumir esse conteúdo.

O objetivo de transferir uma revista para as telas deveria ser ampliar a “experiência de revista“, mesmo que isso signifique quebrar algumas regras de impressão.

Enquanto um leitor de impresso é forçado a ir de assunto a assunto, de página a página, de coluna de texto a coluna de texto, o leitor da web rola no seu próprio ritmo e pode saltar para qualquer lugar que lhe agrade.

Não existe uma direção. Se há um “próximo” natural, haverá uma forma fácil de chegar a ele, colocando-o bem onde o leitor espera que esteja.

Em uma tela de touchscreen do tablet, empurrar é tão mais divertido que os designers começaram a usar isso como uma forma de mover para o próximo artigo (em vez da próxima página), transformando a nossa concepção de revistas em uma coleção de artigos em substituição a série de páginas.

Isso é uma mudança significativa, mas ainda assim empurrar é para ser um espelho da maneira como viramos através das páginas em uma publicação impressa. Ainda é uma questão de mover-se para a frente. E se nós não fôssemos mais compelidos a nos mover em uma única direção?

E o “próximo”?
A mudança “do linear para a rede” que vimos com os calendários ainda não aconteceu com revistas, e não vai acontecer até que repensemos a idéia de “próximo”.

Do rádio para a TV e para o impresso, o velho paradigma da mídia é em relação a uma coisa (programa, anúncio, artigo) levando a outro. Mas a experiência na rede não é linear. Em vez de uma única linha de conteúdo, temos… bem… uma rede.

Novas mídias já superaram estes obstáculos há uma década. Uma rede que consiste em páginas ligadas (você conhece isso como Wirld Wide Web) decolou de verdade quando os usuários foram capazes de facilmente de buscar e contribuir com essa rede (Web 2.0).

Agora nossos dispositivos de rede inundaram nossas vidas diárias com esse conteúdo através de coisas como blogs, RSS e organização em nuvem (veja: Google).

A razão para esse conteúdo ser tão ágil é porque ele nasceu digital e é semanticamente formatado, não sujeito a uma série de separações arbitrárias como páginas em um PDF.

Como revistas podem se modernizar? Você não gostaria de saber!

Para começar, projete para o meio e pare de fazer magazine apps que simplesmente acrescentam uma bela camada decorativa a um produto existente. Foque no conteúdo e na experiência. E não tente fazer isso parecer impresso.

Original:
http://sparksheet.com/print-in-digital-clothing-the-problem-with-magazine-apps/

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