Performance ‘The Artist is Present’, de Marina Abramovic, tornou-se um irritante videogame

Na versão de videogame, feita por Pippin Barr, da performance ‘The Artist Is Present’, jogadores podem experimentar, no conforto de suas casas, a agonizante espera que enfrentaram milhares de pessoas no MoMA.

 

Você amou a épica performance “The Artist Is Present, de Marina Abramovic, no Museum of Modern Art ano passado? Pois agora, visitantes podem experimentar isso de novo – virtualmente. O criador de jogos e estudioso habitante de Copenhagen, Pippin Barr, transformou ‘The Artist Is Present’ em um videogame baseado em browser, no qual os jogadores controlam um pequenino avatar de 8-bit deles mesmos passeando pelo MoMA.

 

A fase foi montada com uma versão pixelada das portas frontais do MoMA, em que o personagem do jogador caminha para encontrar um atentente de bilheteria e um porteiro, que reforça incisivamente o novo preço de entrada do museu, de U$D 25. O propósito é inspirar indignação. Como Barr contou à ARTINFO, “você se sente perplexo por pagar 25 dólares virtuais para o que parece ser uma experiência de merda!”. Tente quebrar as regras e uns personagens não-jogadores – controlados pelo computador – vão mandá-lo de volta com uma forte linha de diálogo. Apenas após a compra do bilhete os jogadores adquirem permissão para seguir as galerias, as quais apresentam réplicas lo-fi de “Starry Night” (Van Gogh) e “Campbells Soup Cans” (Andy Warhol), ambos peças-chave da verdadeira coleção do MoMA.

Finalmente chega à hora de… esperar na fila. Jogadores são confrontados com uma longa fila de pessoas 8-bit, replicando as filas de longas horas que Marina comandou no museu para ter uma chance de sentar com ela. Começando pelo final da fila, à medida que chega a vez de outras pessoas, poderia levar horas de monitoramento passivo até chegar à Marina – se você sente falta de se movimentar na fila, outro não-jogador vai te cortar e você vai ter que esperar ainda mais. Barr escreveu que, na sua última tentativa, ele precisou de 5 horas para chegar até o final do jogo. A recompensa é sentar ao lado de um espírito de Marina Abramovic.

 

“Eu recebi algumas justas reações hostis de jogadores que, eu acredito, se acharam antagonizados pelo jogo quando o jogaram”, afirmou Barr. “Suas reclamações giraram em torno de as filas do jogo não terem sentido, não serem compensadoras, não ajudarem, serem constrangedoras e estúpidas… É fácil caracterizar esse jogo como antagônico, mas apenas se você adere a uma visão bastante convencional sobre o que os jogos deveriam ser. Por que não deveria um jogo (ou algo parecido) esperar que você espere na linha por cinco horas? Não há regras contra isso”.

 

A perversidade do jogo é o que o torna provocativo: nós esperamos nos divertir jogando um videogame, esperamos que essa experiência sirva como entretenimento. Aqui, Barr usa a performance de Marina como uma metáfora de como a arte pode agir contra seu admirador, lutando contra suas expectativas. O videogame ‘The Artist is Present’ “pode não ser divertido, mas talvez seja interessante por outra razão”, escreveu Barr. “Eu certamente tive uma experiência surpreendentemente intensa quando joguei – em particular, eu incrivelmente fiquei em estado de pânico quando perdi o movimento da fila e meu lugar”, conclui o estudioso.

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