Por dentro do Vook

“Os e-books correspondem a 20% das vendas de livros nos Estados Unidos e esta produção é maior do que todo o mercado editorial brasileiro”, afirmou Greg Baterman, diretor na América Latina da empresa que está trazendo para o país o Vook, plataforma onde é possível produzir enhanced books e enhanced magazines – livros e revistas enriquecidos com conteúdo multimídia, animações, hiperlinks, além da possibilidade de compartilhar informações em redes sociais. Sem parecer preocupado com os alarmantes números brasileiros, Greg fez um workshop para ensinar os alunos de comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) a mexer nas ferramentas do Vook, que, além de facilitar a edição de livros, ajuda os autores a distribuírem seus trabalhos por lojas digitais.

O que diferencia o Vook dos e-books produzidos para o Kindle, por exemplo, é que ele aposta na mistura entre mídias – o próprio nome é uma junção das palavras video e book. A segunda característica marcante da plataforma é a sua simplicidade. O usuário edita um livro como se estivesse trabalhando em um blog: as ferramentas são visíveis e o trabalho é bastante intuitivo.

Em cerca de vinte minutos (parte deles gasto lutando para a internet não cair), Greg mostrou como é a montagem e distribuição de um livro usando o Vook. Vamos lá.

Primeiro passo: após decidir o título do trabalho (“UFRJ’s Guitar Book”, escolheu Greg), é necessário fazer um upload do texto ou escrever seu conteúdo diretamente na caixa de texto. Depois é só personaliza-lo no content editor, escolhendo o template e até mudando a ordem dos capítulos. Para anexar vídeos e imagens, é possível usar a técnica drag and drop (arrastar o arquivo e jogar na página). “O objetivo é que você não precisa entender de tecnologia para trabalhar no vook”, afirmou o diretor.

Segundo passo: a aba style editor permite personalizar ainda mais o seu vook, escolhendo o formato do texto, imagens, vídeos e áudios, além das opções de cores e sombreamento.

Terceiro passo: agora é a hora de distribuir o material. Antes disso, porém, é preciso escolher a capa do livro, seu preço e, se quiser, escrever uma descrição da obra. Depois é só decidir pelo formato do livro e colocar nas lojas da Apple, Amazon ou Barnes and Nobles. No Brasil, os vooks são distribuídos também pelas livrarias virtuais da Cultura, Saraiva e Gato Sabido.

Quarto passo: por último, é necessário monitorar as vendas. O próprio Vook monta um gráfico para alertar o autor quantas vezes o livro foi baixado nas lojas virtuais. “Desse modo, é possível saber também se o preço escolhido está correto. Às vezes, é interessante para o autor deixar o livro de graça pelas primeiras semanas para aumentar o número de downloads, atraindo mais público”, aconselhou Greg. O marketing viral nas redes digitais também é considerado útil para essa nova tecnologia.

 

Para entender melhor o processo, o Vook disponibiliza vídeos explicativos no site http://guide.vook.com/vook/training-videos/

 

Infelizmente, o Vook ainda não está disponível para autores individuais. “Por enquanto, a plataforma será usada por escritores famosos, empresas de notícias, editoras e universidades”, afirmou Greg, prometendo uma maior adesão no futuro. O Vook será liberado gratuitamente para a produção de livros e revistas da UFRJ.

Uma vez que o e-book tenha sido distribuído pelas lojas, não é mais possível mudar ou atualizar seu conteúdo. A única solução é fazer uma segunda edição do texto e enviar junto com a primeira para o download.

 

E-books pelo mundo

Formado em ciência da computação e engenharia elétrica pela University of California, Berkeley, Greg participou do processo de lançamento do Kindle e dos smarthpones da Samsung. Além disso, o diretor do Vook criou a empresa Hondana (japonês para estante de livros) para ajudar brasileiros a publicarem e distribuírem seus conteúdos digitais para o mundo todo.

Para realizar seu trabalho, Greg Baterman morou nove anos na Ásia, passando pela Coreia, China e Japão. Assim, o diretor do Vook conhece bem o mercado de livros digitais de cada país. “No metrô do Japão, todos estão jogando ou lendo mangás em seus próprios celulares. Apesar do grande interesse em cultura digital, o gasto para criar conteúdo é muito elevado”, explicou.

Já na Coreia, a briga da Samsung com a Apple ajuda a democratizar o mercado digital. Além disso, o governo investe muito em educação e, até 2015, terá gasto U$ 2,4 bilhões em e-books acadêmicos. A China, por outro lado, possui um diferencial muito grande: a quantidade de usuários. Sendo assim, os e-readers e e-books são vendidos a preços mais baixos.

Saindo da Ásia, a Austrália está tentando criar seus próprios conteúdos digitais, para ficar independente dos Estados Unidos. “Como o país é muito grande, os e-books seriam a solução para que os livros alcançassem todas as cidades, até as que não têm grandes livrarias”, afirmou Greg.

Destoando do resto do mundo, a Europa cobra taxas elevadíssimas para e-readers e e-books. “O livro convencional é um ícone no continente”, explicou.

 

 

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