Uma breve história sobre ativismo on-line

Se está crescendo a conscientização ou chamando cidadãos para ação, a tecnologia tem exercido um papel significante ao conectar pessoas com um objetivo ou mudança em comum. Trocas de mensagens por listas de e-mail, convites para grupos de Facebook e petições do change.org são agora a regra para muitos ativistas.

Tudo começou nos anos 1990 e continuou a crescer, mais recentemente como uma força motora nos tumultos em Londres. Com o movimento na Web 2.0 e o boom das redes sociais nos últimos anos, quase todo mundo tem uma voz via Internet – e muitos estão usando a sua para mobilizar.

Confira abaixo uma linha do tempo sobre alguns momentos cruciais do ativismo online, a maioria dos quais resultou em protesto físico ou afetou uma mudança diretamente. Você se lembra de onde estava nesse momento da história?

 

Lotus Marketplace, abril de 1990

Em 1990, um produto chamado Lotus Marketplace: Households objetivou revolucionar a indústria das listas de marketing. Ao invés disso, ele criou novas preocupações sobre privacidade do consumidor e liderou o público para uma ação.

A companhia de software Lotus e o escritório de crédito Equifax se fundiram para criar o produto, o qual continha nomes, endereços e comportamento consumidor de mais de 120 milhões de americanos em formato de CD-ROM.

Cortesia de Imagem:

Flickr, Meuh !.

 

Zapatistas – de 1994 até hoje

O movimento Zapatista foi iniciado pelo partido EZLN no México. Consiste em um grupo revolucionário de esquerda, que planejou utilizar táticas não-violentas para ajudar pessoas indígenas do estado dos Chiapas a receber alguns benefícios da colheita de recursos naturais na região. Muitos dos seus esforços organizacionais utilizaram e-mail e grupos de usenet, assim como alguns dos tipos mais antigos dos ataques DDoS para derrubar sites do governo e atrair atenção para as suas causas.

Além de representar os Chiapas, o movimento Zapatista espera ajudar os grupos que eles consideram marginalizados pelos governos ao redor do mundo, incluindo mulheres e grupos LGBT. O movimento ainda está vivo, e continua a utilizar táticas online.

Cortesia de imagem:

Flickr, 20 Letters

 

 

MoveOn.Org – 15 de setembro de 1998

Alimentado pela deliberação do Congresso sobre como lidar com o caso de Bill Clinton com Monica Lewinsky, os empresários do Silicon Valley, Joan Blades e Wes Boyd, usaram a web para mandar uma mensagem para Washington: “censurem o Presidente Clinton e avancem nos problemas de imprensa que dizem respeito à Nação”.

A simples petição online, contou o MoveOn.org, foi originalmente enviada a cerca de 100 membros de famílias e amigos – e dentro de uma semana alcançou 100.00 assinaturas. Finalmente a petição receberia meio milhão. O MoveOn.org é hoje um site de 5 milhões de membros que permite que participantes proponham idéias para mudanças políticas.

Cortesia de imagem:

Flickr, Alan Light

 

Protestos da World Trade Organization em Seattle – 30 novembro de 1999

Meses antes da 1999 WTO Ministerial Conference ter sido agendada para realização, ONGs, grupos de interesse e protestantes individuais se organizaram contra a globalização via Internet. Eles planejaram rotas estratégicas que bloquearam as ruas da cidade e estabeleceram uma diversificada rede de comunicação. No chão, os mais de 50.000 protestantes contaram com o uso de telefones celulares, permitindo rápidas mudanças estratégicas e surpreendendo a polícia. Esses organizadores de oposição também criaram o Independent Media Center, hoje uma fonte alternativa de notícias mundiais, como uma ferramenta base de reportagens para as suas demonstrações.

Cortesia de imagem: Flickr, 

djbones


Protestos de imigração na California – 27 de março de 2006

No final de março de 2006, estudantes de Ensino Médio da área de Los Angeles usaram mensagens de texto pada organizar uma passeata fora das salas de aula, em oposição à proposição de mudança da Legislação americana de Imigração. Esses estudantes, então, alcançaram outros adolescentes no Central Valley da California via MySpace, inspirando outros 1000 estudantes em Fresno para a passeata.

 

Cortesia de imagem:

Flickr, Peter Ito.


Protesto Las Farcs colombianas – fevereiro de  2008

 

Em fevereiro de 2008, mais de 12 milhões de pessoas ao redor do mundo marcharam contra as Farcs, as forças armadas revolucionárias da Colombia, uma facção de guerrilha que tem terrorizado a população colombiana por décadas. Em dezembro de 2007, após a liberação de alguns reféns, Oscar Morales, um engenheiro de 33 anos horrorizado pela situação em seu país, criou um grupo no Facebook chamado “Un Millón de Voces Contra Las Farc”.

Logo o grupo de milhares de membros e Morales organizaram uma marcha para protestar contra as FARC e demandar a liberação de reféns sequestrados por eles. Mais tarde em 2008, Morales fundou a One Million Voices Foundation, que luta a favor de direitos humanos em geral na Colombia e trabalha dedicadamente para a liberação de reféns das FARC.

 

 

 

 

Protestos de Eleição no Irã, junho de 2009

Em 13 de junho de 2009, estudantes iranianos uniram forças para protestar contra a altamente disputada reeleição do Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Por terem os protestantes se comunicado via redes sociais, o Governo iraniano desligou o acesso à internet.

O acesso voltou vagarosamente, mas muitas mídias sociais e sítios de notícias foram bloqueados. Protestantes usaram as mídias sociais para negociar listas de servidores de proxy, a fim de contornar as restrições. As autoridades, monitorando essa situação, gradualmente bloquearam esses proxies.  Um dos momentos decisivos dos protestos ocorreu online: a publicação de vídeos do assassinato de uma jovem mulher iraniana, Neda Soltani. Vídeos com gráficos altamente amadores de sua morte se espalharam pela internet e reforçaram gritos de guerra dos apoiantes no Irã e no mundo.

Cortesia de Imagem: Flickr, harrystaab

 

Wikileaks, 5 de abril de 2010 até hoje

Wikileaks é uma organização sem fins lucrativos que publica mídia classificada em seu sítio por meio de notícias de fontes anônimas e denunciantes. Apesar de ter sido lançado em 2006, o sítio se tornou um nome familiar em 2010, quando publicou vídeos do ataque aéreo de Bagdá, em 12 de julho de 2007. O vídeo mostrou jornalistas iraquianos, entre outros, mortos por atiradores em um helicóptero americano. Em julho de 2010, o sítio publicou uma coleção de documentos sobre a guerra no Afeganistão. Mais tarde naquele ano, Wikileaks liberou 400.000 documentos chamados Iraq War Logs em parceria com grandes organizações de mídia, como o The New York Times, agravando a grandeza da polêmica do sítio.

Desde então ele vem lançando um número de cabos da embaixada americana e documentos relacionados ao campo de detenção da baía de Guantanamo. A foto ao lado é do fundador do sítio, Julian Assange.

 

Protestos de educação em New Jersey – 27 de Abril de 2010

Milhares de estudantes de Ensino Médio em New Jersey participaram de uma passeata contra cortes de educação. O protesto foi deflagrado por uma chamada para ação no Facebook.

O evento foi organizado por Michelle Ryan Lauto, de 18 anos – uma estudante da Pace University que foi aluna da High School em New Jersey. Lauto agiu após o Governador Chris Christie ter anunciado que cortaria U$ 820 milhões em fundos educacionais. Aproximadamente 16.000 estudantes confirmaram presença no evento do Facebook. De acordo com os estudantes que participaram do protesto, ele foi fortemente organizado por esforços em redes sociais – mensagens de texto, MySpace e, é claro, o evento original do Facebook.

 

Protestos na Grécia, maio de 2010 até hoje

Os protestos na Grécia começaram em 5 de maio de 2010, quando as pessoas os organizaram, em resposta  à crise de dívidas do país. Foi um dos maiores protestos nacionais desde 1973, cancelando vôos e embarcações e paralisando escolas e hospitais. Três pessoas foram mortas. Inspirados pelos protestos, o Movimento dos Cidadãos Indignados também foi criado na Espanha. O movimento convocou para demonstrações em todo o país via Facebook. Alguns dos slogans para o protesto foram nerds: “Erro 404, Democracia não foi encontrada”.

Os protestos continuaram desde então, tendo o mais recente ocorrido em 7 de agosto de 2011.

Cortesia de imagem: Flickr, monika.monika

 

Primavera Árabe – 18 de Dezembro de 2010 até hoje

A Primavera Árabe se refere a uma série de revoluções e revoltas no Oriente Médio e Norte da África, começando na Tunísia em 18 de dezembro de 2010.

Desde a revolução tunisiana, houve uma revolução egípcia, uma guerra civil na Líbia, insurreições no  Barém, Síria e Iémen, grandes protestos na Argélia, Iraque, Omã, Marrocos, Jordânia e demonstrações em uma série de outros países. Muitas das informações sobre cada evento foram disseminadas via blogs, Twitter e grupos de Facebook. Isso serviu tanto para o benefício dos organizadores dentro dos países, quanto para as pessoas no resto do mundo, que buscavam notícias sobre o que estava acontecendo .

 

Cortesia de imagem: Flickr, magharebia

15-M protestos na Espanha

O movimento 15-M (relativo a 15 de maio, o dia do primeiro protesto) foi uma série de demonstrações pacíficas que ocorreram pela Espanha em maio de 2011. Os protestantes se opunham ao nível de emprego, a cortes de benefícios e a políticos espanhóis, entre outros problemas.

As demonstrações ocorreram em 166 cidades ao redor do país, e em algumas delas o movimento durou mais de um mês.

Páginas de Facebook foram criadas para cada cidade, a fim de reunir cidadãos. No Twitter, #spanishrevolution foi usado para seguir os protestos.


Cortesia de Imagem:

Flickr, vreimunde

 

 

Mulheres sauditas dirigindo – junho de 2011

Mulheres da Arábia Saudita se organizaram para dirigir em 17 de junho de 2011, um mês após Manal al-Sarif – uma figura chave na campanha de mídias sociais contra a proibição de mulheres de dirigir – foi presa por postar um vídeo do Youtube dela mesma dirigindo ao redor da cidade de Khobar.

Ativistas desencadearam o movimento via Facebook, Twitter e outras ferramentas online, antes de algumas dessas contas terem sito desligadas. O suporte online para a campanha continuou pelo Facebook e Twitter em diversas formas, incluindo a campanha viral Honk for Saudi Women, a qual caracterizou vídeos de homens e mulheres do mundo todo buzinando em suporte às mulheres sauditas que dirigiram em 17 de junho.

A foto ao lado é uma camiseta que diz em Árabe: “Sim às mulheres dirigindo”.

 

Tumultos em Londres, 4 de agosto de 2011

Em 4 de agosto, a polícia atirou fatalmente Mark Duggan, residente da área Tottenham, no norte de Londres. Um protesto pacífico de cerca de 300 se reuniu ao redor da estação policial de Tottenham. Rumores não confirmados dizem que a violência surgiu em reação ao confronto entre um protestante adolescente e um policial. Isso inspirou violentos tumultos em Londres, coordenados principalmente via Blackberry Messenger.

Os tumultos continuam, mas as pessoas estão agora se reunindo no Twitter para coordenar esforços. O tráfego do Twitter foi altamente enriquecido: em 8 de agosto, uma em cada 170 visitas na internet foi para o sítio Twitter.com.

Cortesia de Imagem: Flickr, Alan Stanton

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